Eu começo hoje com uma pergunta simples, mas profundamente espiritual: Você é bom de oração?
Não estou perguntando se você ora alto. Não estou perguntando se você ora bonito ou se sabe usar palavras fortes. Estou perguntando algo muito mais profundo: Você sabe orar com o espírito certo?
A Oração não é um Acessório, é Sustentação
Se a oração fosse retirada da igreja hoje, como ela estaria? Ela continuaria forte? Continuaria sensível ao Espírito e cheia de discernimento? Ou se tornaria apenas uma instituição organizada, porém vazia de dependência?
Biblicamente, a igreja nasceu em oração:
No Nascimento: Antes do Espírito descer, eles perseveravam unanimemente em oração (Atos 1:14).
No Cotidiano: A igreja primitiva perseverava na doutrina, na comunhão e nas orações (Atos 2:42).
Na Crise: Sob perseguição, a resposta era oração (Atos 4:31).
Na Prova: Com Pedro preso, a igreja orava incessantemente (Atos 12:5).
O Exemplo de Elias e o Equívoco dos Discípulos
A Bíblia fala de homens comuns que oraram e o céu respondeu. Elias era sujeito às mesmas paixões que nós, mas quando orou, o céu se fechou e, depois, o fogo desceu (1 Reis 18:42; 2 Reis 1:9-12). Era um tempo de juízo e confrontação.
Os discípulos sabiam disso. Por isso, ao serem rejeitados em uma aldeia de samaritanos, sugeriram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu, como Elias fez?” (Lucas 9:54).
Eles não estavam citando algo fora da Bíblia, mas estavam com o espírito errado.
A Resposta de Jesus
Jesus não anulou o ministério de Elias, mas revelou algo maior:
“Vós não sabeis de que espírito sois. Porque o Filho do Homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las” (Lucas 9:55-56).
Jesus Cristo não veio para incendiar aldeias; Ele veio para ser consumido na cruz. O juízo que deveria cair sobre nós, caiu sobre Ele.
É possível orar certo com o espírito errado?
Sim. É possível citar a Bíblia com orgulho. É possível pedir justiça querendo, no fundo, vingança.
Tiago e João foram chamados de “Filhos do Trovão” (Marcos 3:17) devido ao seu temperamento impetuoso. Mas observe a transformação: anos depois, o mesmo João escreveria as palavras mais doces da Escritura: “Deus é amor” (1 João 4:8).
Do trovão à voz do amor. O problema nunca foi o poder; sempre foi o espírito.
Paulo nos lembra: A nossa luta não é contra carne e sangue (Efésios 6:12).
Tiago nos ensina: A ira do homem não produz a justiça de Deus (Tiago 1:20).
O Que Restaria Se o Orgulho Saísse?
Se o orgulho fosse retirado da nossa oração, como estaríamos? Se a vaidade, o desejo de vingança e a necessidade de “estar certo” saíssem, talvez a oração finalmente se tornaria pura.
Não precisamos de mais intensidade ou volume. Precisamos de mais quebrantamento e pureza. Não precisamos de fogo para destruir; precisamos do Espírito para transformar.
Uma Oração para Hoje:
Senhor, ensina-nos a orar. Mas, acima de tudo, ensina-nos de que espírito somos. Amém.
Elaborado por: Pb. Marco Aurélio Silva Pereira
