Recebemos com alegria a mensagem enviada pelo Alisson Gustavo. As perguntas levantadas por ele tratam de temas profundos das Escrituras e nos levam a refletir cuidadosamente sobre aquilo que a Palavra de Deus revela acerca de nosso Senhor Jesus Cristo.
As questões apresentadas não são novas. A própria Escritura mostra homens tentando compreender quem era Jesus, de onde vinha sua autoridade e como entender sua relação com o Pai. E talvez seja justamente aí que encontramos uma das maiores riquezas do Evangelho: a Bíblia não esconde esse mistério, ela o revela progressivamente.
Os discípulos viram Jesus cansado, com fome, orando ao Pai e andando entre os homens. Mas também o viram perdoando pecados, recebendo adoração, acalmando o mar e ressuscitando mortos. Por isso, muitas vezes eles mesmos perguntavam: “Quem é este?” (Mc 4:41).
1. Jesus é Deus ou Filho de Deus?
A primeira pergunta feita é: “Jesus é Deus ou é o Filho de Deus?” A própria Escritura nos ajuda a compreender que uma coisa não exclui a outra.
Quando Pedro declarou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16:16), ele não estava diminuindo Jesus. Pelo contrário: dentro do entendimento bíblico, chamar Cristo de “Filho de Deus” era reconhecer a sua natureza divina. Isso fica ainda mais claro quando observamos a reação dos judeus às palavras de Jesus. Após declarar: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10:30), os judeus pegaram pedras para apedrejá-lo e disseram:
“…porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.” (João 10:33)
Eles compreenderam perfeitamente o peso das palavras de Cristo.
O testemunho dos Evangelhos
- O Prólogo de João: O Evangelho de João começa declarando: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1:1). E mais adiante afirma: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1:14). Ou seja, aquele que se fez homem já existia eternamente.
- A declaração de Tomé: Ao ver Jesus ressurreto, Tomé declarou: “Senhor meu e Deus meu!” (Jo 20:28) — e Jesus não o repreendeu.
- As obras de Cristo: Jesus realizou milagres que a teologia judaica atribuía somente a Deus. Quando perdoou pecados, os escribas questionaram: “Quem pode perdoar pecados, senão um, que é Deus?” (Mc 2:7).
A própria Escritura vai conduzindo o leitor ao entendimento de que Jesus não era apenas um profeta ou um homem comum, mas o próprio Filho eterno de Deus manifestado em carne.
2. Jesus tinha poder próprio ou recebeu tudo do Pai?
Outra pergunta importante feita pelo Alisson é sobre a autoridade e o poder manifestados por Cristo.
As Escrituras mostram que Jesus verdadeiramente veio ao mundo em humilhação voluntária. O apóstolo Paulo escreveu que Cristo “a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo” (Fp 2:7). Isso não significa que Ele deixou de ser Deus, mas que assumiu plenamente a condição humana para cumprir a obra da redenção. Por isso vemos Jesus orando, obedecendo ao Pai e vivendo em perfeita submissão.
Ao mesmo tempo, vemos Nele manifestações claras de autoridade divina: Ele acalmou o mar, perdoou pecados, recebeu adoração, ressuscitou mortos e afirmou: “Antes que Abraão existisse, EU SOU” (Jo 8:58).
Além disso, o próprio Cristo declarou:
- “Tudo me foi entregue por meu Pai.” (Mt 11:27)
- “Para que todos honrem o Filho como honram o Pai.” (Jo 5:23)
Não existe contradição nisso. O Filho eterno veio ao mundo para cumprir a vontade do Pai na obra da salvação. Sua submissão não anulava sua divindade; revelava sua humildade e obediência. Por isso, as Escrituras mostram tanto sua verdadeira humanidade quanto sua plena divindade.
3. Onde está a palavra “Trindade” na Bíblia?
O Alisson também pergunta sobre a Trindade, observando corretamente que essa palavra não aparece literalmente nas Escrituras. E isso é verdade.
A palavra “Trindade” não está escrita na Bíblia, da mesma forma que outros termos teológicos que utilizamos no dia a dia da igreja também não aparecem no texto sagrado. Porém, a doutrina resumida por essa palavra surge da observação cuidadosa das Escrituras.
Os cristãos dos primeiros séculos passaram a utilizar o termo “Trindade” para sintetizar aquilo que viam revelado na Palavra:
- O Pai é Deus;
- O Filho é Deus;
- O Espírito Santo é Deus;
- E, ainda assim, Deus é um só.
Não são três deuses, mas um único Deus. Essa compreensão não nasceu da tentativa de inventar uma nova doutrina, mas do esforço da igreja em preservar o monoteísmo bíblico e a divindade de Cristo.
Evidências da Trindade na Bíblia:
- O Batismo de Jesus: Vemos o Filho nas águas, o Espírito Santo descendo como pomba e a voz do Pai sendo ouvida dos céus (Mt 3:16-17).
- A Grande Comissão: O próprio Senhor ordenou: “Batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19). Observe que o texto fala “em nome”, no singular, e não “em nomes”.
- A Divindade do Espírito Santo: Em Atos 5:4, quando Pedro confronta Ananias, ele diz: “Não mentiste aos homens, mas a Deus”.
Quem vê o Filho, vê o Pai
Essa revelação aparece de forma muito profunda quando Filipe disse a Jesus: “Senhor, mostra-nos o Pai, e isso nos basta” (Jo 14:8). A resposta do Senhor foi categórica:
“Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai.” (João 14:9)
Os discípulos caminhavam com Jesus, ouviam suas palavras e contemplavam suas obras, mas, pouco a pouco, iam entendendo que o próprio Deus estava sendo revelado no Filho. Isso não significa confusão de pessoas entre o Pai e o Filho, mas revela a perfeita unidade divina entre eles.
Conclusão: Um mistério além da lógica humana
Talvez o mais importante seja lembrar que nem tudo acerca de Deus pode ser reduzido às limitações da lógica humana. Há mistérios que a Escritura revela verdadeiramente, mesmo que nossa mente não consiga esgotá-los completamente.
Foi exatamente isso que aconteceu com os discípulos: eles caminharam com Jesus como homem, mas encontraram Nele a revelação do próprio Deus.
Que o Senhor continue conduzindo todos nós ao conhecimento da verdade por meio de sua Palavra.
“A graça do Senhor Jesus Cristo seja com todos.” Amém.