Por Presbítero Marco Aurélio
O que a redução do exército de Gideão nos ensina sobre a autossuficiência e a suficiência de Cristo
Texto principal: Juízes 7:1–8
Textos de apoio: Juízes 6:11–16; 2 Coríntios 12:9; 1 Coríntios 1:28–31; João 14:6
"E disse o Senhor a Gideão: Muito é o povo que está contigo, para eu entregar os midianitas em sua mão; a fim de que Israel se não glorie contra mim, dizendo: A minha mão me livrou."
— Juízes 7:2
A paz do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Meus irmãos, minhas irmãs, queridos ouvintes, presbítero Marco Aurélio por aqui.
Meu irmão, minha irmã, querido ouvinte, eu gostaria de começar te fazendo uma pergunta: como que anda a sua força? Como que andam as suas batalhas?
Hoje eu quero falar sobre uma batalha à qual Gideão foi chamado. E talvez, quando nós ouvimos sobre essa história, a nossa primeira reação seja pensar em coragem. Porque batalhas exigem coragem, exigem força, e exigem também que grandes homens estejam preparados para lutar. Esse seria o pensamento mais razoável.
Mas quando nós abrimos a Bíblia, percebemos que o ponto principal da história de Gideão não é a força de Gideão. Como assim? Exatamente isso: não é a força de Gideão. É a força de Deus.
1. O Chamado no Lagar: Deus Não Busca os Autossuficientes
Isso muda completamente a maneira como nós enxergamos essa passagem. Em Juízes, capítulo 6, Deus chama Gideão para libertar Israel das mãos dos midianitas. Mas Gideão não aparece como um homem que está se sentindo um grande guerreiro. Pelo contrário...
Ei, meu irmão, minha irmã, talvez você esteja se sentindo exatamente assim. Você já foi convocado para esta batalha, você já entrou para o bom caminho, mas está sentindo uma responsabilidade que é maior do que você.
Note que quando o Anjo do Senhor o encontra, Gideão está malhando o trigo no lagar, escondido dos midianitas. E quando Deus o chama de "homem valente", Gideão praticamente responde: "Senhor, eu?"
Você já pensou assim? Ser convocado por Deus e o Senhor te chamar de homem valente, de mulher valente, de um varão valoroso, de uma mulher guerreira, e nesse exato momento você responder de forma semelhante ao que Gideão respondeu: "A minha família é a mais pobre de Manassés, e eu sou o menor da casa de meu pai"?
Então perceba uma coisa: Deus não chamou Gideão porque ele fosse naturalmente extraordinário, um grande guerreiro ou poderoso em palavras. Não! Deus chamou Gideão e, ao longo do caminho, foi ensinando Gideão a confiar Nele.
Há quanto tempo você está neste caminho? Saiba que o Senhor está te ensinando a confiar Nele mais e mais.
2. A Redução Estratégica: De 32 Mil para Apenas 300
Chegamos ao capítulo 7 de Juízes. Gideão tinha 32.000 homens. Humanamente falando, já parecia pouco diante do vasto exército dos midianitas. Mas Deus olha para aqueles 32.000 e diz algo surpreendente:
"É demais o povo que está contigo para eu entregar os midianitas nas mãos de Israel, porque Israel poderia se gloriar contra mim, dizendo: 'A minha própria mão me livrou'."
— Juízes 7:2
Olha que palavra importante: "A minha própria mão me livrou". Deus conhecia o coração humano. Se Israel vencesse com um grande exército, poderia olhar para trás e dizer: "Nós conseguimos, nós fomos fortes, nós tínhamos capacidade, nós vencemos porque éramos melhores".
Então Deus começa o processo de redução:
32.000 Homens (Início) ➔ 10.000 Homens (Após os temerosos saírem) ➔ 300 Homens (Apenas os aprovados nas águas)
Imagine Gideão olhando para aquilo! Trinta e dois mil já não eram suficientes aos olhos humanos; agora restam apenas trezentos!
Mas foi exatamente aí que Deus queria chegar. Porque a questão nunca foi: "Gideão, quantos homens você tem?". A questão era: "Gideão, em quem você está confiando?"
| O Olhar Humano / O Mundo | O Princípio do Evangelho |
| Exige mais recursos, mais dinheiro e mais influência. | Opera através da dependência e da suficiência da graça. |
| Diz: "Mostre a sua força e a sua capacidade". | Diz: "Reconheça a sua fraqueza para que o poder de Deus se aperfeiçoe". |
| Busca a glória da conquista pessoal ("minha mão me livrou"). | Dá toda a glória a Deus, Aquele que guarda e sustenta a vida. |
3. O Poder que se Aperfeiçoa na Fraqueza
Algumas vezes nós pensamos que, para enfrentar uma batalha, precisamos ter mais: mais recursos, mais conhecimento, mais eloquência, mais pessoas, mais capacidade. Mas há momentos em que Deus permite que algumas coisas sejam reduzidas em nossa vida.
Não para nos destruir, mas para nos ensinar uma verdade que esquecemos: a nossa segurança nunca esteve naquilo que tínhamos nas mãos; estava Naquele que segurava a nossa vida.
Muitas vezes nós cantamos: "Deus só usa quem for obediente e cheio da graça". Podemos entender a beleza da mensagem, mas precisamos deixar a Bíblia calibrar aquilo que cantamos. A Escritura não apresenta Gideão como um homem que primeiro se tornou perfeito, plenamente corajoso e invencível para depois ser usado por Deus.
- Gideão teve medo;
- Gideão fez perguntas;
- Gideão pediu sinais;
- Gideão precisou ser fortalecido.
Talvez hoje a resposta tenha chegado ao seu coração: você precisa ser fortalecido! E, mesmo assim, Deus trabalhou através da vida de Gideão. Isso não significa que a obediência não seja importante — ela é extremamente importante! Mas a obediência de Gideão não foi a causa da graça de Deus; foi o fruto da ação de Deus na vida dele. Primeiro Deus chama, Deus promete, Deus sustenta.
O apóstolo Paulo reflete essa mesma verdade ao escrever aos coríntios:
"A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza."
— 2 Coríntios 12:9
4. Além de Gideão: O Evangelho e a Cruz de Cristo
Se pararmos na história de Gideão, podemos transformar essa passagem apenas em uma mensagem motivacional de coaching: "Seja valente, seja um dos 300, lute sua batalha!". Mas o Evangelho vai muito além disso, porque existe uma batalha que nós jamais poderíamos vencer com a nossa própria força: a batalha contra o pecado, a nossa culpa diante de Deus e a nossa incapacidade de produzir a justiça que Deus requer.
Nessa batalha, Deus não mandou simplesmente alguém para nos ensinar a lutar; Deus enviou o Seu próprio Filho, Jesus Cristo. Ele veio ao mundo, viveu em perfeita obediência, tomou sobre Si os nossos pecados e foi à cruz.
- Na cruz, não há espaço para o homem dizer "a minha própria mão me livrou";
- Na cruz, toda a nossa autossuficiência cai por terra;
- Na cruz, entendemos que a salvação é exclusivamente pela graça.
Não fomos nós que subimos até Deus, foi Deus quem veio até nós. Não fomos nós que encontramos o caminho; Cristo declarou: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (João 14:6).
"Para que nenhuma carne se glorie perante ele... Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor."
— 1 Coríntios 1:29, 31
5. O que Deus Está Reduzindo na Sua Vida?
Talvez hoje você esteja passando por um período de redução.
- Talvez aquela força da juventude tenha diminuído;
- Talvez alguma coisa que você considerava indispensável tenha faltado;
- Talvez uma porta tenha se fechado ou recursos tenham desaparecido;
- Talvez companheiros tenham se afastado e você esteja olhando para o que restou e pensando: "Agora é pouco demais".
Antes de concluir que é pouco demais, pergunte-se: será que Deus está me ensinando que eu nunca precisei confiar naquilo que eu tinha?
Trinta e dois mil homens não eram a garantia da vitória; dez mil não eram; trezentos também não eram. O Senhor era a garantia!
Não tenha medo de depender de Deus! Não tenha vergonha de reconhecer a sua fraqueza. Pare de tentar parecer forte o tempo todo diante das pessoas. Leve a sua fraqueza, o seu medo e a sua insuficiência ao Senhor. A nossa esperança não está em sermos suficientes o tempo todo, mas em Cristo, que é plenamente suficiente.
No fim das contas, a grande mensagem da fé não é "eu sou um dos trezentos"; a grande mensagem é: "O meu Deus continua sendo Deus, e a minha confiança está Nele!"
Oração
Senhor nosso Deus e nosso Pai, nós Te agradecemos pela Tua Palavra. Ensina-nos a confiar em Ti quando os recursos parecem poucos, quando as forças parecem pequenas e quando aquilo que tínhamos em nossas mãos começa a diminuir.
Lívra-nos, Senhor, da autossuficiência. Não permita que nós pensemos que a vitória depende da nossa própria mão. Ensina-nos a obedecer pela fé, a descansar na Tua graça e, acima de tudo, Senhor, mantém os nossos olhos fixos em Jesus Cristo.
Que nós nunca confiemos em nossos próprios méritos, mas na obra perfeita que Cristo realizou na cruz. Que toda a glória seja Tua. E quando formos fracos, lembra-nos de que a Tua graça nos basta.
Em nome de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém.